Subject: Zacarias da Costa: "East Timor is far from being a failed state"

Ok, here's the article again. I Google translated it, then checked it myself. There should be no inconsistencies now. Thanks. Paula. 

Zacarias da Costa "East Timor is far from being a failed state"


"East Timor is far from being a failed state"

The East Timorese Foreign Minister, Zacarias da Costa, stopped by in Lisbon yesterday, on his way to Cidade da Praia, spoke with Diário de Notícias about the situation in his country and about some aspects of the meeting of the CPLP in which he participates today and tomorrow in Cape Verde.

You will participate in a meeting of CPLP foreign affairs ministers. According to the latest issue of Foreign Policy, two CPLP member states - East Timor and Guinea-Bissau - are in danger of becoming failed states. What can be done to prevent this?

Foreign Policy’s assessment is not based on updated data, there was no visit to East Timor to observe the progress in the last two years. If we only take into cosnideration the 2006 crisis we would easily concluded that the country was on the verge of collapse. But no. East Timor is far from being a failed state. The Government has made great efforts to make reforms, to deal with major challenges such as the question of the petitioners, the IDPs, the needs of young people in employment and vocational training or education. And today we are able to move towards economic recovery.

But what is being done to address the state failure factors (indicators)?

We are preparing a plan for building infrastructures, we are focusing on human resource development, through sending students to countries in the region, we have increased the number of scholarships abroad. The problems that exist today are substantially different from those that marked the period of 2006.

And what about initiatives from the CPLP concerning the two states?

Initiatives for East Timor are advanced, because since November 2007 we have been talking about a strategic plan to be adopted at Praia (city of Praia, Cape Verde).

What does that plan include?

It includes the areas of justice, territorial administration and training of journalists. These areas have been indentified as priorities and will be addressed immediately after the meeting on Praia. At the same time, we are preparing the opening of a CPLP delegation in Dili this year, an important step to help implement the plan that I mentioned.

What about Guinea Bissau?

I think proposals will come up; we ourselves proposed similar ones to those referred to in the plan for East Timor in addition to others related to matters of defense and security. But within CPLP there is a clear idea of what needs to be done to help Guinea-Bissau.

You mentioned that you want to focus on infrastructure in East Timor. Which areas are most in need?

Roads, bridges, ports and airports, energy, are the priority areas. We also need more infrastructure to support health and education.

What are the priorities for strengthening bilateral cooperation Lisbo-Dili?

Portuguese language. At first, we focused on its reintroduction, now we aim at consolidation. There is wide agreement among Lisbon and Dili that we need to do more in training human resources in East Timor. Portugal is very involved in this subarea, but we want to involve other countries.

CPLP countries?

Not just CPLP. For example, Sweden already finances curricula development.

At the regional level, is Timor developing partnerships with neighboring states in some of these areas?

Not just these areas. In agriculture we have an important collaboration with Indonesia, in terms of security [segurança], too. There are many police members and some officers trained in Indonesian academies. We have more than four thousand students in Indonesia; in health, we are studying the possibility of having [Indonesian] midwives and nurses to work in the health sector in Timor. In terms of justice, in addition to Portugal, we also need the involvement of Australia, which is also present in the reform in the defense sector.

When it comes to Australia, there is now a dispute on the location of the pipeline linked with the Greater Sunrise cooperation area. Dili wants its location on the south coast of Timor, which is contested by Canberra ...

It is not exactly the Australian Government, but rather the company that is leading the consortium that will explore the Greater Sunrise. Both governments have an interest in its location within their territories, but we hope that Canberra will understand that if it already has a pipeline to Darwin, it is logical, based on studies conducted, that the new pipeline will come to Timor-Leste.

You mentioned the increased cooperation with Indonesia: does that mean that tensions derived from the occupation period are being overcome?

Relations with Indonesia are now excellent. The two Foreign Ministries are doing important work in cooperation and are considering how to implement the recommendations of the Commission of Truth and Friendship. I must say that today it will be announced [today, Sunday] in Dili the completion of two agreements that will be a milestone in relations between East Timor and Indonesia. One is the simplification of the visa process by Jakarta for all Timorese passport-holders for up to seven days, the second is special treatment for young East Timorese who want to study in Indonesia.

This means that the sentiment in East Timorese society is that it is [now] time to overcome what happened in the past?

The feeling is that we must look to the future. It is on this assumption that we have negotiated with Jakarta ...

You are part of a coalition government operating in a complex environment – for example, just now has begun the trial of those involved in the assassination attempt on Ramos-Horta and Xanana Gusmão - and which is much criticized by the opposition. Do you think that the Executive will govern until 2012?

The opposition is doing its role, but failed to challenge the decision of the President to draw the coalition into government. On the other hand, we must focus on political dialogue; Fretilin is a party with governing experience, particularly to strengthen our democracy, which is so young. The main thing is how the country was when we got to power and how it is now. But I would also like to say that, obviously, there are problems and tensions. It is not easy to manage a coalition.

At 04:10 AM 7/19/2009, you wrote: Please consider whether to post on the list.

Zacarias da Costa "Timor-Leste está longe de ser um Estado falhado"


"Timor-Leste está longe de ser um Estado falhado"

O ministro dos Negócios Estrangeiros timorense, Zacarias da Costa, passou ontem em Lisboa, a caminho da Cidade da Praia, tendo falado ao DN sobre a situação no seu país e sobre alguns aspectos do encontro da CPLP ( ver pág. 33) em que participa hoje e amanhã em Cabo Verde.

Participa numa reunião de MNE da CPLP em que, segundo o mais recente número da revista Foreign Policy, dois Estados membros - Timor-Leste e Guiné-Bissau - correm o risco de se tornarem Estados falhados. O que pode ser feito para evitar isso? A avaliação da Foreign Policy não se baseia em dados actualizados; não houve uma visita, pelo menos a Timor-Leste, para constatarem a evolução verificada nestes dois últimos anos. Se olharmos apenas a crise de 2006 facilmente se chega à conclusão de que o país estaria à beira de falhar. Mas não. Timor-Leste está longe de ser um Estado falhado. O Governo tem feito um grande esforço no sentido de fazer reformas, de lidar com os maiores desafios, como a questão dos peticionários, os deslocados internos, as necessidades dos jovens em termos de emprego e formação profissional ou educação. E hoje estamos em condições de avançarmos para a recuperação económica. Mas o que está a ser feito para neutralizar esses factores de Estado falhado?

Estamos a preparar um plano de construção infra-estruturas, apostamos no desenvolvimento dos recursos humanos, com o envio de estudantes para países da região; aumentámos o número de bolsas de estudo no exterior. Os problemas que existem hoje são substancialmente diferentes dos que marcaram a conjuntura de 2006.

E quanto a iniciativas no âmbito da CPLP para os dois Estados? As iniciativas para Timor-Leste estão avançadas, já que desde Novembro 2007, falámos de um plano estratégico, a ser aprovado na Praia. O que prevê esse plano? O plano contempla as áreas da justiça, administração do território e formação de jornalistas. Áreas identificadas como prioritárias e que serão contempladas de imediato após a reunião da Praia. Ao mesmo tempo, prepara-se a abertura de uma delegação da CPLP em Díli este ano, um passo importante para ajudar a concretizar o plano que referi.

E quanto à Guiné-Bissau?

Julgo que vão aparecer propostas; nós próprios fizemos algumas semelhantes às contempladas no plano para Timor, além de outras relacionadas com questões de defesa e segurança. Mas existe na CPLP uma ideia clara do que é preciso fazer para ajudar a Guiné-Bissau.

Falou numa aposta nas infra-estruturas em Timor-Leste. Em que áreas estas são necessárias?

Estradas, pontes, portos e aeroportos, energia, são as áreas prioritárias. Além de que precisamos de mais estruturas de apoio à saúde e ao ensino.

Que áreas identifica como prioritárias para o reforço da cooperação bilateral Lisboa-Díli? A língua portuguesa. Num primeiro momento falou-se na sua reintrodução; hoje temos de falar numa consolidação do português em Timor. Somos unânimes, em Lisboa e Díli, em reconhecer que precisamos fazer mais em termos de formação de recursos humanos em Timor. Que é uma prioridade em que Portugal está bastante envolvido, mas que queremos envolver outros países.

No âmbito da CPLP?

Não só. Um exemplo: temos já a Suécia financiar o desenvolvimento dos currículos. No plano regional, Timor está a desenvolver parcerias com os Estados vizinhos nalgumas destas áreas?

E não só. No plano agrícola, temos uma colaboração importante com a Indonésia; no plano da segurança, também. Há bastantes elementos da polícia e alguns oficiais treinados nas academias indonésias. Temos mais de quatro mil estudantes na Indonésia; na saúde, estamos a estudar a possibilidade de termos parteiras e enfermeiras para trabalhar no sector da saúde em Timor. No plano da justiça, além de Portugal, temos também o envolvimento da Austrália, que está ainda presente na reforma no sector da defesa. No plano das relações com a Austrália há neste momento um diferendo sobre a localização do gasoduto ligado à zona de exploração do Greater Sunrise, em que Díli pretende a sua localização na costa Sul de Timor, o que é contestado por Camberra...

Não é propriamente o Governo australiano, mas a companhia que está a liderar o consórcio que irá explorar o Greater Sunrise. Ambos os governos estão interessados na sua localização nos respectivos territórios, mas esperamos que Camberra entenda que se já tem um gasoduto em Darwin, é lógico, até com base nos estudos feitos, que o novo gasoduto venha para Timor-Leste.

Referiu a cooperação com a Indonésia: isto significa que estão a ser ultrapassados as tensões do período da ocupação? As relações com a Indonésia são hoje excelentes. Os dois Ministérios dos Negócios Estrangeiros estão a desenvolver importante trabalho de cooperação e estão a estudar como concretizar as recomendações da Comissão da Verdade e Amizade. Devo dizer que é anunciada [ hoje, domingo] em Díli a concretização de dois acordos que vão constituir um marco nas relações entre Timor-Leste e a Indonésia. Um, é a simplificação do processo de vistos por parte de Jacarta para todos os passaportes timorenses até um máximo de sete dias; segundo, é o tratamento especial para os jovens timorenses que queiram estudar na Indonésia.

Isto significa que o sentimento na sociedade timorense é de que chegou o momento de ultrapassar o sucedido no passado? O sentimento é o de que devemos olhar para o futuro. É neste princípio que temos negociado com Jacarta...

Integra um Governo de coligação numa conjuntura complexa - ainda agora começou o julgamento dos envolvidos nas tentativas de assassínio de Ramos- -Horta e Xanana Gusmão - e muito criticado pela oposição. Acredita que o Executivo vai governar até 2012? A oposição cumpre o seu papel, mas já deixou de contestar a decisão do Presidente de chamar a coligação para o Governo. Por outro lado, temos de apostar no diálogo político; a Fretilin é um partido com experiência de governação, até para reforçar a nossa democracia, que está no princípio. O importante é vermos como encontrámos o país e como está hoje. Mas quero também dizer que, como é natural, há problemas e tensões. Não é fácil gerir uma coligação.

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